PASSAGEM ETIHAD: Não voe nessa empresa aérea, a não ser que queira ser enganado e sofrer!! LEIA

Caro viajante:

Imagine você, feliz da vida, achar uma passagem barata no Decolar para a India! E descobrir ainda que ela é da afamada companhia aérea ETIHAD , conhecida por sua sofisticação!

Assim, você também aceita que existe uma rápida conexão ABU DHABI, e acha que não vai atrapalhar em nada, já que a espera é apenas de 1,30 hs, e depois India. Boa, estou economizando e voando bem. Bem, não tão bem…

Na ida, tudo corre a mil maravilhas, chegamos em ABU DHABI, e em menos de uma hora estamos dentro do avião e depois de uma viagem tranquila em Nova Delhi, India.

O problema foi a volta ( e segundo descobrimos depois com outros viajantes tivemos uma sorte inacreditável nessa ida tranquila).

CAP. 1 – A VOLTA PELA ETIHAD LINHAS AÉREAS:

Depois de cansativos 16 dias na Índia, estamos no aeroporto de Nova Delhi para a conexão em ABU DHABI, e o voo atrasa. Os painéis mostram uma hora, depois duas. Você pensa – a conexão em ABU DHABI vai ficar bem justa, mas ok. Bem,depois das duas horas entramos no avião e chegamos na conexão com um atraso de 10 minutos. Como a conexão para o Brasil é com a própria ETIHAD, no aeroporto deles, não há motivo para preocupação e a equipe de bordo nos tranquiliza que eles esperam. Ledo engano!

Já no aeroporto vemos que o nosso voo às 9 hs para o Brasil não esperou nenhum minuto (se é que ele existiu mesmo, porque não tinha nem sinal dele nos monitores). Depois da escada rolante uma fila enorme de pessoas desesperadas que perderam inúmeras outras conexões e percebemos que somos somente mais um na massa de sem-voo. Homens e mulheres trajados com o uniforme ETIHAD circulam com uma falsa simpatia. Paramos um no meio da bagunça para perguntar qual o próximo voo para o Brasil.

CAP. 2 – O VAZIO

Um rapaz da ETIHAD nos diz que voo para o Brasil somente 24 horas depois e que ficássemos tranquilos, já que receberíamos vistos para entrar em ABU DHABI e descansar tranquilamente em um dos hotéis da ETIHAD e ainda conhecer a cidade. Hum, até que o limão virou limonada,pensamos. Trouxas. O rapaz faz a gente preencher os requerimentos de visto e entra em uma porta. Nunca mais aparece. Paramos uma moça da empresa, explicamos a situação toda e ela fala que o visto demora até 8 horas para sair (!!)e sai para a mesma porta. O limão volta a ser limão. Paramos outros 2 funcionários e a mesma promessa do visto+hotel+confortos. Já passaram 4 horas naquele saguão apinhado de famílias, crianças, idosos em poucas cadeiras desconfortáveis. Na 5° abordagem em voz mais alta (tinha que ser assim, porque existiam uma 140 pessoas na fila com só dois guichês) eles nos dão “vouchers” de alimentação para comer no aeroporto, que privilégio!

Até que conversamos com um casal brasileiro do nosso voo e descobrimos que eram 20 pessoas que também perderam a mesma (suposta) conexão, e a pior, aconteceu com eles a mesma situação na ida, das 24 horas de espera, por “voo cancelado” para a India. Eles berraram tanto que na ocasião conseguiram ir para um tal “Lounge ETIHAD” e falaram que tinha um hotel da ETIHAD dentro do aeroporto que não precisava de visto. Deus. Sabendo disso e já há 6 horas ali, começamos a exigir na frente da tal porta “misteriosa” acomodações no hotel. Berramos à brasileira, sendo até aplaudido pelos gringos presentes, mas o hotel estava “lotado” segundo eles, assim, levaram nossos passaportes para dentro (medo) e um tempo depois acabaram nos dando os tickets escrito “Airport Hotel”.

CAP. 3 Bem-estar by ETIHAD.

4 km depois andando pelo aeroporto, temos a certeza de que somos somente mais um em um mar de pessoas presas no terminal sem voo e visto. Um verdadeiro filme “Terminal” do Tom Hanks. Famílias dormindo no chão, pessoas com cara de desoladas.

O “Airport Hotel” do ticket era mesmo um hotel,mas nossas entradas só davam direito a uma sala com cadeiras tipo salão de festa do prédio, com água, coca-cola e um cheiro terrível dentro. Algumas pessoas dormindo. Era impossível dormir nas cadeiras e tiramos as almofadas e montamos uma pseudo cama. Acordamos às 18 hs. e fomos comer com os vocuhers, descobrindo que só dava para um lanche do Macdonald’s em uma praça de alimentação atulhada de gente e com muitos dormindo nas mesas. Mais 4 KM com as malas para ver o prometido visto, que segundo a ETIHAD já estava pronto desde às 17 horas.

CAP. 4 – Padrão

Chegando no local de perda de conexões a mesma bagunça, mas com mais gente. A fila quilométrica. Abordamos mais três funcionários que disseram que o visto “estava saindo” ( onde percebemos um claro padrão: esses profissionais bem uniformizados circulavam uns 10 minutos em meio ao caos e ouviam as reclamações, soltando doces promessas, e logo evaporavam – ficou óbvio que era uma estratégia para cansar as pessoas e elas não exigirem mais nada que custasse algo para a ETIHAD). Mais duas horas e nada de visto, já estávamos há 10 horas no aeroporto. Percebemos outra estratégia: a cada 30 minutos eles soltavam caixas de um suco amarelo bem adocicado e um insonso lanchinho gorduroso. Ótima tática. Nada como açucar e gordura em doses cavalares e de graça para acalmar pessoas furiosas.

Resolvemos apelar: deitamos com nossas malas no meio do corredor do aeroporto e todos os funcionários ETIHAD que passavam gritávamos em inglês: Muito obrigado! Este é o Hotel ETIHAD para seus clientes! Venham desfrutar desse conforto e sofisticação conosco!

Rapidamente se juntaram dois russos e dois brasileiros ao nosso singelo protesto. A tensão aumentou, passaram dois policiais armados com fuzis e em seguida um “gerentão” ETIHAD bem árabe, que nervoso, exigiu que parássemos com trejeitos ameaçadores e saíssemos imediatamente. Queria nossos passaportes. Depois de muita conversa falou que daria a entrada para um “Lounge Premium”. Pegou nossos passaportes (medo novamente) depois de meia hora angustiante, sai com os tickets.

Esse lounge parecia um programa de auditório – decoração de veludos e dourados com iluminação de bronzeamento – e cheio de europeus e americanos, nenhum moreno do 3° mundo, só nós (talvez outro padrão… para os “civilizados” um esquema luxo, para a plebe, a mesa do Mcdonald’s ou cadeiras de plástico do saguão). Comida japonesa, árabe, chuveiros, bebidas alcólicas, etc.Mas impossível de dormir e já era 23 horas. Antes de sair, mais uma maravilhosa surpresa by ETIHAD! O monitor eletrônico mostrava que o nosso voo para o Brasil das 9 horas havia passado para as 11.30 hs do dia seguinte. Deus.

CAP 5 – ACORDE SOB OS TERNOS CUIDADOS DA ETIHAD!

Para dormir, achamos melhor ir no outro lounge “pobrinho” mas que dava para montar almofadas no chão e era mais escuro.Estava cheio de crianças brincando e um cheiro horrível no ar,mortos de cansaço pelas atividades proporcionadas pela ETIHAD só acordamos às 7 horas do dia seguinte.

Tentamos tomar café com nosso ticket para o lounge “1° mundo” mas nos barraram rispidamente dizendo que a validade era só para o dia anterior. Frente a isso, fomos usar o último “voucher” para comer uma torrada e café na praça de alimentação (e albergue) do aeroporto. A ansiedade para sair daquele inferno aumentava proporcionalmente a incerteza se o nosso voo já atrasado seria mantido ou cancelado. No painel, vários outros voos tinham sido cancelados. Lá fora, às 9 hs da manhã uma densa bruma.

CAP. 06 – GO SHOPPING!!!

Resolvemos entrar para os portões de embarque. Após a fila do RX, apresenta-se um enorme shopping, com dezenas de lojas sofisticadas e várias pessoas zanzando e comprando. Muitas inclusive de que já conhecíamos do dia anterior a ponto de cumprimentar nos corredores como uma cidade de interior. Cai outra ficha –  que pertinente para a Companhia ETIHAD essas perdas de conexão para milhares de pessoas diariamente, que chance de elas gastarem seu dinheirinho nas sofisticadas lojas na prisão e tédio das intermináveis horas ali, que lucrativo para o aeroporto ABU DHABI – ETIHAD – SULTANATO.

CAP 07 – ME TIRA DAQUI!

Já estamos há exatas 25 horas no aeroporto. Nos portões de embarque tudo,mas tudo lotado, famílias fazem pic-nics no chão. Todas as nacionalidades, culturas e etnias possíveis. E eu atento a qualquer possível mudança no monitor de DELAYED para o tenebroso CANCELLED. Medo. Tento me acalmar. daqui a 1,30 hs estarei livre desse lugar bizarro e indo para o querido Brasil.

De repente uma voz no microfone manda irmos para um portão no andar inferior. Sai a massa descendo as escadas, fico com uma ponta de angústia maior com a possibilidade de cancelamento. No saguão inferior começamos a ouvir uma gritaria e barulho de muitas pessoas vindo. Era um grupo de uns 60 árabes gritando de punhos fechados palavras contra a ETIHAD pelo cancelamento de novo de sua conexão, de perto, mais policiais com fuzis AK-47.

Chegamos em nosso portão. No monitor sob a porta de vidro, está como “previsto”. Forma-se uma fila e ficamos na frente, onde conversamos com outros brasileiros que vieram do Japão e e estão no mesmo voo da gente. Chegam outros conhecidos “de longa data” do aeroporto e forma-se uma conversa animada. Somos bruscamente interrompidos por um guarda brutamontes mal-encarado em trajes arábes, que agressivamente manda o nosso grupo sair da fila e sentar. Tento argumentar, e ele faz gestos ameaçadores e diz que o voo não está confirmado, para esperamos sentados que senão seremos presos (!). A outra centena de pessoas na fila permanecem.

Como estamos em um país que é quase um feudo absolutista, e sem o mínimo Estado de Direito, obedeço rapidamente. Depois, ao ir ao banheiro vimos que ele estava em uma sala de segurança repleta de monitores. Será muita paranóia pensar que estávamos sendo monitorados desde o protesto do dia anterior?

Ao meio dia e meio, entramos no onibus para o avião, não sem antes ouvir a história de um cara do lado dizendo que um amigo dele ficou 16 horas parado dentro de um avião ETIHAD. Os minutos passam leeeentos…

Depois de 40 minutos em solo e muita reza, o avião decola! Alívio fantástico.

CONCLUSÃO:

Depois dessa experiência surreal, só podemos chegar ao seguinte:

Possivelmente existe uma estratégia pensada para maior lucratividade da ETIHAD, que espera os aviões sempre partirem  LOTADOS custe o que custar. Assim, as tais conexões dependem da lógica empresarial e não dos horários pré-estabelecidos, sendo o cancelamento (ou inexistência) de voos algo totalmente planejado para a eficiência financeira da ETIHAD. Os coitados que perdem o voo não tem como reclamar isolados na “zona cinza” em um sultanato como Abu Dhabi, onde prevalece a intimidação e a sensação da ausência do Estado de Direito. De quebra, essa massa sem pátria e voo, acaba gastando muito dinheiro no comércio do aeroporto da ETIHAD e deve gerar um número substancial no balanço da companhia.

Enfim,essa foi a epópeia das 28 horas passadas sob a sofisticação e conforto ETIHAD na hospitaleira ABU DHABI.

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